29 de março de 2019

A história da mulher que é a primeira pessoa com HIV do mundo a doar rim

                            © Twitter

Nesta segunda-feira (25), Nina Martinez, de 36 anos, se tornou a primeira pessoa soropositiva viva do mundo a doar seu rim para um receptor também soropositivo. O transplante histórico aconteceu no Johns Hopkins Medicine, em Baltimore, Atlanta, estado norte-americano. Ambos estão se recuperando bem.

Martinez porta o vírus do HIV, que interfere no sistema imunológico, desde os seis meses de idade, quando ela recebeu uma transfusão sanguínea. Na época, o hospital ainda não testava o sangue para a presença do vírus.

“Eu realmente quero que as pessoas reconsiderem o que é viver com HIV”, ela disse dias após sua operação, à CNN. “Se alguém pode provar que tem como viver com HIV, essa pessoa sou eu. Eu tenho vivido com isso por 35 anos.”
Evolução e esperança 

O cirurgião responsável pela operação, o doutor Dorry Segev, elogia a coragem de Nina e afirma que a cirurgia é “realmente uma celebração do cuidado médico para o HIV e sua evolução.”

Até 2013, os Estados Unidos não permitiam a doação de órgãos de soropositivos. “Eu ficava assistindo pessoas com HIV morrerem na lista de espera por transplante e eu nos assistia ter que rejeitar cada doador em potencial, estivesse ele vivo ou morto, só porque eles tinham HIV.”

Duas preocupações os impediam de considerar um soropositivo como doador: o vírus em si e os medicamentos para o tratamento, que poderiam ser tóxicos para o rim. “Nós precisávamos mostrar que certas pessoas com HIV podiam ser saudáveis o suficiente para serem doadores e para viverem com apenas um rim”, explica Segev.

Em 2013, uma lei permitiu pesquisadores a conduzir estudos acerca da doação de órgãos entre soropositivos. O ato não dá prioridade aos pacientes portadores de HIV, mas, sim, fornece um conjunto de doadores específicos para pessoas vivendo com o vírus.

Na época, porém, só era permitido que pessoas já falecidas doassem o rim caso fossem soropositivas. Em 2016, aconteceu o primeiro transplante entre portadores de HIV, mas apenas a cirurgia em que Nina participou foi a primeira da história a ser feita entre duas pessoas vivas.