2 de abril de 2019

Quadro Negro: Beto Richa, mulher e outros cinco viram réus por obstrução de investigação

Beto Richa foi preso no âmbito da Quadro Negro em 19 de março — Foto: RPC/Reprodução
O ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), a mulher dele, Fernanda Richa, e outros cinco viraram réus por obstrução de investigação de organização criminosa no âmbito da Operação Quadro Negro, nesta segunda-feira (1º).
A denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR) foi aceita pelo juiz Fernando Bardelli Silva Fischer, da 9ª Vara Criminal de Curitiba. A operação apura desvios de mais de R$ 20 milhões de obras de escolas públicas do estado, entre 2012 e 2015.
A ex-primeira-dama e ex-secretária estadual também se tornou ré por organização criminosa. Beto e outros cinco já tiveram denúncia aceita pela Justiça sobre o mesmo crime e outros, na mesma operação.
"Verifico a existência da justa causa para exercício da ação penal, consubstanciada nos elementos indiciários e elementos de prova que instruem os autos e que representam lastro probatório da materialidade e de indícios suficientes de autoria dos delitos de obstrução de investigação de organização criminosa e organização criminosa atribuídos aos denunciados", diz o juiz na aceitação.

Veja quem são os réus e os crimes:

Beto Richa (ex-governador): obstrução de investigação de organização criminosa;
Fernanda Richa (ex-primeira-dama e ex-secretária estadual): organização criminosa e obstrução de investigação de organização criminosa;
Jorge Atherino (operador financeiro): obstrução de investigação de organização criminosa;
Sérgio Botto de Lacerda (ex-procurador): obstrução de investigação de organização criminosa;
João Gilberto Cominese Freire (empresário): obstrução de investigação de organização criminosa;
Rafael de Sarandy Wawryniuk (genro de Atherino): obstrução de investigação de organização criminosa;
Maurício Fanini (delator e ex-diretor da Secretaria de Educação):obstrução de investigação de organização criminosa.
O G1 tenta contato com as defesas dos réus. Beto e Atherino foram presos preventivamente em 19 de março, em desdobramento da Quadro Negro.
Beto Richa é apontado pelo MP-PR como chefe da organização criminosa que implantou um sistema de corrupção para conseguir propina por meio do favorecimento de empresas privadas contratadas pelo governo.
Conforme a denúncia aceita, depois de tomar ciência das investigações, o então governador procurou Fanini e determinou que ele eliminasse provas de comunicações e de encontros entre eles.
Os promotores alegam que, ao descobrir que havia um pedido de prisão contra o ex-diretor da secretaria, Beto solicitou que Lacerda - que informou Fanini sobre o pedido - o instruísse a se livrar de evidências do esquema de pagamentos indevidos.
O MP-PR aponta que Fernanda Richa agiu para evitar que Fanini revelasse fatos sobre o suposto esquema de corrupção, "atuando pessoalmente em encontros e por meio de mensagens de texto".
A denúncia também afirma que Atherino e Freire pagaram espécie de "ajuda de custo" ao ex-diretor da secretaria para que mantivesse os gastos ordinários e não comprometesse a organização criminosa.
Beto também é apontado como quem "comprou o silêncio" de Fanini. Segundo a promotoria, Wawryniuk era responsável por esses pagamentos feito a mando de Atherino.
Na aceitação da denúncia, a Justiça também determinou a quebra de sigilo telefônico de Fernanda Richa, Sérgio Lacerda e de João Freire.