8 de abril de 2019

Robô Curiosity registra dois eclipses solares em Marte

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SUPER INTERESSANTE - Quando a Lua passa em frente ao Sol e produz um eclipse, parte da luz que chega até a Terra acaba sendo encoberta. 
Com um diâmetro de 3,4 mil quilômetros, nosso satélite natural está bem acima da média das luas do Sistema Solar. As de Marte, por exemplo, são muito menores: o diâmetro de Phobos é de apenas 11,5 km, e o de Deimos é de meros 2,3 km. Com esse tamanho diminuto, o eclipse que elas geram acaba sendo um pouco menos impressionante.
Por outro lado, registrar um eclipse que ocorreu em Marte é um feito e tanto. Foi justamente este fenômeno que a sonda Curiosity detectou recentemente durante suas aventuras científicas no Planeta Vermelho.

Em 17 de março, o jipe robótico da Nasa flagrou um eclipse do Sol ocasionado por Deimos e, pouco depois, no dia 26, foi a vez de Phobos. Desde que pousou em nosso vizinho planetário, em 2012, a Curiosity estava preparada para estudar os eventos: sua câmera Mastcam trouxe da Terra filtros especiais para essas pesquisas eclípticas.

Além de serem um verdadeiro espetáculo da natureza, os eclipses solares marcianos são particularmente valiosos para os cientistas, pois ajudam a refinar os cálculos das órbitas das luas. Por serem pequeninas, suas trajetórias mudam frequentemente, afetadas pelo puxão gravitacional do planeta vermelho, de Júpiter e mesmo das influências que uma provoca na outra. Nos últimos 15 anos, esse entendimento ficou bem mais preciso.

A partir do momento em que os rovers Spirit e Opportunity chegaram em Marte, em 2004, eles começaram a documentar eclipses solares e diminuíram muito a incerteza em torno das órbitas das luas. Descobriram que Deimos, a menor delas, está 40 quilômetros mais longe do que se pensava. O registro desses fenômenos marcianos não é particularmente raro, mas a abundância de dados é essencial para os cientistas.

Somando as investigações conduzidas pelos dois rovers e pela sucessora Curiosity, ao todo foram observados 40 eclipses marcianos de Phobos e oito de Deimos. A cada nova oportunidade, aumenta a precisão orbital desses satélites naturais.

Mas há um fator que transcende a ciência nas fotos desses eventos. “Eclipses, auroras, ocasos e fenômenos climáticos no geral tornam Marte real para as pessoas, como um mundo tanto igual quanto diferente do que vemos aqui fora, não apenas um tópico em um livro”, aponta em comunicado Mark Lemmon, um dos investigadores da Mastcam.