12 de fevereiro de 2021

O que diz a ciência sobre uso da vacina de Oxford por idosos

 

                                © Reuters

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca seja aplica em adultos de todas as idades, inclusive em idosos.

Isso abriu caminho para que o imunizante seja distribuído por meio da Covax, uma coalizão de 165 nações apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU) que busca garantir o fornecimento de uma vacina contra o novo coronavírus aos países mais pobres, entre eles o Brasil.

A posição da OMS foi na direção contrária da indicação mais recente feita por alguns países da Europa como Alemanha e Áustria, que decidiram não aplicar a vacina de Oxford em pessoas com mais de 65 anos, por não haver estudos conclusivos sobre sua eficácia para essa faixa etária.

O que disse a OMS?

  • O Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas (Sage, na sigla em inglês) da OMS recomendou a aplicação da vacina de Oxford para pessoas acima de 18 anos, "sem um limite máximo de idade".A decisão foi tomada mesmo que ainda esteja sendo investigada a taxa de eficácia específica para pessoas com mais de 65 anos — os estudos clínicos apontaram que o imunizante tem uma eficácia global de 82% após a aplicação da segunda dose, quando consideradas todas as faixas etárias acima de 18 anos.Alejandro Cravioto, presidente do comitê de especialistas da OMS, disse que a urgência criada pela pandemia é muito grande para aguardar por estes resultados.

A prioridade neste momento é impedir que as pessoas desenvolvam formas graves da doença e morram, e a vacina de Oxford demonstrou ser capaz de fazer isso, explicou ele.

"Esperar várias semanas para ter mais informações e só então fazer uma recomendação, quando já temos dados suficientes não seria apropriado", argumentou Cravioto.

A vacina de Oxford é barata de fabricar, pode ser produzida em massa e pode ser armazenada em um refrigerador comum, o que facilita a imunização em muitos países.

A OMS também recomendou sua aplicação em países que enfrentam novas variantes do coronavírus — como é o caso do Brasil —, contras as quais as vacinas atuais podem ser menos eficazes.

Dados preliminares de testes feitos na África do Sul, onde foi detectada uma das novas cepas, apontaram que a vacina de Oxford oferece uma "proteção mínima" contra casos leves e moderados em jovens.

A diretora de imunização da OMS, Katherine O'Brien, disse que o estudo sul-africano foi "inconclusivo" e que é "plausível" considerar que a vacina previne formas graves da covid-19.

"Mesmo que a eficácia caia para um índice tão baixo quanto 10%, ainda a coisa certa a fazer é imunizar os idosos por causa do maior risco de ter uma forma grave da doença e de mortalidade nessa faixa etária", disse O'Brien.

Por que alguns países não recomendam a vacina de Oxford para idosos?

Alemanha, Áustria, França, Itália e, mais recentemente, Portugal afirmaram que não indicam a aplicação do imunizante em pessoas com mais de 65 anos, porque até o momento não se sabe sua eficácia nesta faixa etária.

Isso ocorreu porque não havia um número suficiente de idosos nos estudos feitos para esta vacina para haver uma conclusão confiável a respeito.

"Outro fator relevante é que na Europa, eles têm acesso a outras vacinas, como a da Pfizer, que se mostrou eficaz para idosos", diz o imunologista Jorge Kalil.