19 de julho de 2019

Piso mínimo de frete cai até 44% com nova tabela

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Uma nova tabela com pisos mínimos de fretes publicada nesta quinta-feira (18) pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) trouxe alívio para o agronegócio e revoltou os caminhoneiros, principalmente os que transportam grãos. Cálculos feitos pela reportagem mostram que, em determinado percurso, o custo mínimo para carregar granéis caiu 44% na comparação com a tabela divulgada em janeiro.Os valores previstos na resolução 5.849 da ANTT começam a vigorar neste sábado (20) e foram definidos após a contratação pela agência da Esalq-Log, fundação ligada à USP (Universidade de São Paulo). Apesar da participação dos caminhoneiros nas audiências públicas realizadas neste ano em várias cidades, eles dizem que não imaginavam que ser“.Se essa tabela for mantida, o governo estará assinando a sentença de morte da categoria, logo nós que tanto apoiamos o presidente (Jair Bolsonaro)”, disse o presidente do Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros) de Londrina, Carlos Roberto Delarosa. “Com esses valores, vamos trabalhar de graça”, declarou.

De acordo com Delarosa, nesta semana não será possível fazer qualquer movimento. “Mas o bicho vai pegar na semana que vem.”Liderança nacional da categoria, Wanderlei Alves, o Dedeco, disse à reportagem que ficou surpreso com os valores. E que, durante as reuniões nas quais a tabela foi discutida, o combinado era que os cálculos deveriam incluir a remuneração do caminhão. O texto publicado deixa explícito que o custo da mão de obra do motorista foi incluído, mas o lucro não. A tabela também vale para empresas de transporte. “Falei com o ministro Tarcísio (Tarcísio Gomes de Freitas, da Infraestrutura) e estou aguardando o retorno dele. Espero que ele revogue essa resolução hoje”, disse (Até o fechamento desta edição, o ministro não havia ligado para Dedeco e o governo não tinha se manifestado sobre a nova tabela).Diferentemente dos autônomos, o Setcepar (Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do Paraná) gostou dos novos pisos mínimos. Gerson Medeiros, que é diretor da entidade, afirmou que precisava estudar melhor a resolução, mas que, “numa primeira examinada”, ela corrigiu distorções. “Havia operações mais caras, como as de produtos perigosos e de produtos que exigem equipamentos de refrigeração, que estavam com valores mais baixos que os do transporte de grãos”, avaliou. Para ele, os valores agora estão mais próximos da “realidade praticada pelo mercado”.

A reportagem procurou a Faep (Federação da Agricultura do Paraná) para saber a opinião da entidade. Em nota, a federação disse apenas que o tabelamento do frete fere a Constituição Federal, ao impedir a livre concorrência de mercado. No STF (Supremo Tribunal Federal), há pelo menos três Adins (ações de inconstitucionalidade), entre elas a da CNA (Confederação da Agricultura e da Pecuária) visando derrubar os pisos mínimos de frete.