3 de outubro de 2019

Em sete meses, Brasil registra 24,4 mil mortes violentas; queda é de 22,6% em relação ao ano passado

         
                                     Foto: Rodrigo Cunha/G1

A tendência de queda nos homicídios do país tem sido mostrada pelo G1 desde o balanço de 2018 – a maior queda dos últimos 11 anos da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com 13%. Já no 1º semestre deste ano, a queda foi de 22%.

O número de assassinatos, porém, continua alto: 1 a cada 12 minutos, em média, neste ano.

O levantamento faz parte do Monitor da Violência, uma parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Os dados apontam que:

houve 7.109 mortes a menos nos primeiros sete meses de 2019

todos os estados do país apresentaram redução de assassinatos no período

três estados tiveram quedas superiores a 30%: Ceará, Rio Grande do Norte e Acre.

Tendência de queda

Para entender o que está por trás dessa tendência, o G1 foi a fundo nos cenários de segurança pública dos três estados com a maior queda: Acre, Ceará e Rio Grande do Norte. Integrantes e ex-integrantes dos governos e entidades foram consultados para levantar as principais medidas tomadas nos estados que podem ter resultado na queda da violência. A GloboNews também entrevistou autoridades e especialistas.

Entre as medidas adotadas estão:

ações mais rígidas em prisões, como constantes operações de revistas e implantação do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD)

isolamento ou transferência de chefes de grupos criminosos para presídios de segurança máxima

criação de secretaria exclusiva para lidar com a administração penitenciária

criação de delegacia voltada para investigar casos de homicídios

integração entre as forças de segurança e justiça

maior investimento em inteligência policial

adoção de programas de prevenção social

Já o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, atribui a queda no número de mortes violentas no país a esforços de governos locais e do governo federal, citando recordes de apreensão de drogas e transferência de chefes de facções criminosas para presídios federais como medidas que surtiram efeitos nos índices de criminalidade. Moro também afirma que o governo está com uma política de tentar retomar o controle de vários presídios do país.Para Bruno Paes Manso, do NEV-USP, a ação dos governadores e das autoridades estaduais de Justiça, mais focada nos presídios, ajuda a entender a permanência da tendência de queda dos homicídios no Brasil.