18 de dezembro de 2019

Aposentado de 66 anos é 1º Papai Noel negro a atuar em um shopping de Salvador: 'Tudo tem que ter uma mudança'

                               Foto: Alan Oliveira/G1
"Tudo tem que ter uma mudança. Eu estou sendo aquela pessoa que todo mundo está olhando. Depois de mim, vai haver oportunidade para outros negros, que também vão poder fazer um bom trabalho, como o meu".É dessa forma que o industriário aposentado Ubirajara Pereira, de 66 anos, reflete sobre o posto que tem ocupado desde o final de outubro. Ele é o primeiro homem negro a representar o Papai Noel em um shopping de Salvador.

Seu Ubirajara é pai do ator Fabrício Boliveira, e já tinha feito outros trabalho publicitários, mas viver o "bom velhinho", que é símbolo do Natal, sempre foi um sonho dele.O aposentado conta que a oportunidade surgiu a partir da indicação de um sobrinho. Ele participou de uma seleção e dois dias depois recebeu a informação de que havia passado.

"Eu sempre quis ser Papai Noel, mas não tinha oportunidade. Não tinha oportunidade de alguém chamar um negro para isso. Aí surgiu. Essa era uma das coisas que faltava na minha vida. Uma das coisas que faltava para eu fazer minha resenha lá em cima com Jesus".

Para assumir o posto, o aposentado estudou e tem estudado como lidar com o público. Seu Ubirajara também levou a alegria, que é uma característica pessoal, para o personagem. O objetivo dele é fazer a diferença.

"Eu comecei a pesquisar como eu iria tratar uma criança com autismo, como deveria tratar uma senhora...cada ser humano. Eu estudei para caramba".

"Eu via que o Papai Noel é aquele que anda com o cajado e só acenando, e disse: 'Eu vou fazer uma coisa totalmente diferente'. Não dá pra ficar sentado o tempo todo. Eu levanto e começo a sambar, pular, brincar. Ficar o tempo todo sentado é ruim", conta.

O "bom velhinho" atende os clientes do Shopping Center Lapa, que tem a temática da decoração inspirada no filme "Madagascar", que se passa na África.Seu Ubirajara revelou que já recebeu vários depoimentos, e que tem se emocionado bastante com a repercussão e com os pedidos das crianças.

"Eu não esperava essa aceitação das pessoas com um Papai Noel negro. Tem sido ótima a repercussão. Todo o dia eu choro, e as Noeletes [ajudantes do Papai Noel] choram também".